quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Raízes Dispersantes

O homem sob as folhas decompostas, nutrindo a terra, tem os olhos subterrâneos. Suas pedras preciosas faiscantes escondem-se lá no fundo, são minérios de rubis e diamantes brutos, são pedaços que compõem uma alma que ainda não foi lapidada. E ele tem pensamentos em argila moldada pelo tempo, também tem pensamentos em areia movediça que o leva para o fundo de si mesmo. Por que quando se tem algo mais concreto é quando sempre te quebram. Mas também podemos sustentar a humanidade com uma única idéia.
Em seus cílios crescem os musgos mais negros, abrem-se e fecham-se, feito um sapo coaxando baixinho; Seus dedos encravam-se na terra e crescem raízes em suas unhas enterradas. Cava profundamente sua vontade de retornar ao ventre do mundo, em carbono, em amônia, interiormente coisas que afundam como pedras num lago misterioso e calmo.
Enquanto o homem interior dispersa-se cada vez mais profundamente, as pernas e a cabeça erguem-se ao sol da tarde, tira algumas folhas do cabelo; Sente cada músculo de seu corpo esculpido na perfeição das formas humanas. E o pensamento luta pra não ser moldado pela sociedade; Enquanto as pedras brutas em seus olhos escondem-se para não serem percebidas.
O salgueiro alto mostrando seus ramos, apenas para cobrir com folhas decompostas o homem que respira lá em baixo.

Autor: Tom Aiko

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