quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Jardim Borrado



Essa manhã eu fui até o jardim e o vento balançava as orquídeas que se agarravam ao tronco seco de uma pequena árvore cortada; O céu está escuro e acinzentado trazendo chuva, algumas Petúnias e Calêndulas que abriram suas pétalas na madrugada fria, tremulam suas cores nos canteiros esverdeados que escureceram um pouco neste inverno.
Nas ruas atrás dos portões da minha casa, flores de ipês roxos são carregadas até a entrada da minha calçada, observo-as enquanto a chuva as desmancha uma a uma, meu jardim vai sendo inundado e os perfumes vão sendo lavados por grandes gotas, que até parecem flores aquáticas que caíram de algum lago cinza que estava tranqüilo no céu;
Sento-me na varanda, alguma música que aos olhos tocam lágrimas é bela e suave, assim como uma rosa que não floresceu, e que cresceu de mais seus espinhos; As borboletas ainda não saíram do casulo, mas a vida ainda segue seu fluxo desfolhando do tempo sua arte, nunca deixando de ser bonita. Assim é a visão de quem chora... Um jardim borrado em que muita gente sequer abre um guarda-chuva para salvar algumas das cores.

Autor: Tom Aiko

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