quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Lembranças em Vermelho


O vermelho que escorre das lembranças
Dança em minhas noites com a sombra do seu abraço...
Para onde você foi além do silêncio de um coração que não bate?
Eu não quero perder esse vazio que me preenche quando sinto medo...

E este imenso céu azul ainda é nosso?
O pôr-do-sol perdido no horizonte
Não une o dia com a noite
Quando eu apenas não te encontro.

Será que foi enterrado com você o relógio e o tempo?

Mas esses sentimentos continuam cavando a minha mente,
Na esperança de tirar você dos meus sonhos
E colocar alguma luz na escuridão que nos faz desaparecer,
Mergulhados no sangue dessa ferida aberta em seu corpo e sangrando em minha alma.

Sangrando...
Eu também vou correr para lá
Feito um ponteiro
A girar, a girar, a girar...

O vermelho que escorre das lembranças
Dança em minhas noites com a sombra do seu abraço...

Autor: Tom Aiko


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Criaturas Aladas


E a sinfonia da manhã é o som de asas batendo pela janela,
Como o dia fugindo da chuva fria a procura de algum abrigo;

E o meu piano é uma árvore que vai perdendo em notas suas folhas,
Partituras que escrevo cantadas pelo vento e caladas pelo silêncio;

Cintilantes asas cortam o céu enquanto a esfera azul quebra-se de seus olhos...

E me chamaram de anjo...

Cintilantes asas cortam o céu enquanto voam para longe dos meus dedos...

E me chamaram de anjo...

Foram embora às asas e o pensamento escorreu como a chuva no telhado,
O chão molhado e o som quebrado acompanhando a música em seu próprio tempo...

E me chamaram de anjo...

Quando me deram todo o céu e eu vi todas as direções sem ter onde pousar e ficar...

Cintilantes asas cortaram o céu e foi exatamente ali que elas me deixaram...

Autor: Tom Aiko

ps: E escrevi mais uma partitura para piano o/

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Leia estes mistérios que escrevo:


Minhas páginas são leitos de hortênsias frescas
E ao escrevê-las deixo-as perfumar de jasmim e hálitos do céu;
Sinta ao lê-las o cálice pendendo essências nas pétalas,
Hastes tremulantes na brancura de um fino véu.

Eu que comecei escrevendo poesias nas águas calmas
E fui carregado por ondas para o fundo e lançado para fora de mim mesmo,
Fechei o livro do meu coração oceânico
E comecei a escrever fora das margens com a fragrância da minha alma.

Mas dispersei-me ao vento e não pude conter o meu olhar,
Feito um jardim florido no mundo e que ninguém pode tocar
Tentei fechar este livro etéreo que despetalava suas folhas,
Como olhos fechados que escorrem lágrimas voláteis de perfume...

E talvez estas páginas ao serem lidas já não se sintam os perfumes;
Ou talvez, seguindo o aroma das suas flores,
Chegue-se a praia onde um poeta um dia escreveu um livro de águas,
Um livro profundo em palavras para que seu coração se afogasse em silêncio.

Autor: Tom Aiko

Ps: Breve desabafo do escritor aos leitores:

Gente, já se passaram alguns meses após meus últimos traumas vividos, eu particularmente  havia decidido parar de escrever poesias; Mas bem, não consegui parar; Essa em particular é muito marcante por que fala do meu inicio como poeta escrevendo o livro das águas e do meu percurso como escritor interiorizado e exteriorizado hoje. Admiro o trabalho de quem consegue escrever sobre coisas mais concretas como a sociedade. o/


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Jardim Borrado



Essa manhã eu fui até o jardim e o vento balançava as orquídeas que se agarravam ao tronco seco de uma pequena árvore cortada; O céu está escuro e acinzentado trazendo chuva, algumas Petúnias e Calêndulas que abriram suas pétalas na madrugada fria, tremulam suas cores nos canteiros esverdeados que escureceram um pouco neste inverno.
Nas ruas atrás dos portões da minha casa, flores de ipês roxos são carregadas até a entrada da minha calçada, observo-as enquanto a chuva as desmancha uma a uma, meu jardim vai sendo inundado e os perfumes vão sendo lavados por grandes gotas, que até parecem flores aquáticas que caíram de algum lago cinza que estava tranqüilo no céu;
Sento-me na varanda, alguma música que aos olhos tocam lágrimas é bela e suave, assim como uma rosa que não floresceu, e que cresceu de mais seus espinhos; As borboletas ainda não saíram do casulo, mas a vida ainda segue seu fluxo desfolhando do tempo sua arte, nunca deixando de ser bonita. Assim é a visão de quem chora... Um jardim borrado em que muita gente sequer abre um guarda-chuva para salvar algumas das cores.

Autor: Tom Aiko

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Raízes Dispersantes

O homem sob as folhas decompostas, nutrindo a terra, tem os olhos subterrâneos. Suas pedras preciosas faiscantes escondem-se lá no fundo, são minérios de rubis e diamantes brutos, são pedaços que compõem uma alma que ainda não foi lapidada. E ele tem pensamentos em argila moldada pelo tempo, também tem pensamentos em areia movediça que o leva para o fundo de si mesmo. Por que quando se tem algo mais concreto é quando sempre te quebram. Mas também podemos sustentar a humanidade com uma única idéia.
Em seus cílios crescem os musgos mais negros, abrem-se e fecham-se, feito um sapo coaxando baixinho; Seus dedos encravam-se na terra e crescem raízes em suas unhas enterradas. Cava profundamente sua vontade de retornar ao ventre do mundo, em carbono, em amônia, interiormente coisas que afundam como pedras num lago misterioso e calmo.
Enquanto o homem interior dispersa-se cada vez mais profundamente, as pernas e a cabeça erguem-se ao sol da tarde, tira algumas folhas do cabelo; Sente cada músculo de seu corpo esculpido na perfeição das formas humanas. E o pensamento luta pra não ser moldado pela sociedade; Enquanto as pedras brutas em seus olhos escondem-se para não serem percebidas.
O salgueiro alto mostrando seus ramos, apenas para cobrir com folhas decompostas o homem que respira lá em baixo.

Autor: Tom Aiko