sábado, 30 de julho de 2011

Percepção

Eu vi uma obra de arte, era mais ou menos assim:
Uma noite com o céu estrelado, onde se erguiam prédios e luzes de néon, sustentados por firmes pilastras de concreto em que sonhos adormecidos desenhavam grandes realizações. Eu também era paisagem, era brilho de estrela em néon. Pálpebras derramando o negro entre as margens onde jardins de branco abriam-se em flor.
Águas noturnas pingavam do lugar em que era para estar o teto.
O calmo retratado no submerso de quem olha o sobreposto a tinta, a superfície da cor em profundos e densos traços, pintando delicadas asas de mariposas que voam alto; Serenas e benditas deixam as flores brancas para dar contraste às sombras estrelares. São lindas. Eu também sou paisagem, mas despido de despedidas.
O quadro estava na janela, águas noturnas pingavam do lugar em que era para estar o teto.
Alguns homens chegaram depois de já seca a tinta. Ascenderam seus cigarros, sopraram fumaças e fecharam as cortinas. O que seriam seus braços além de ondas? A sociedade em hálitos salgados de maresia quebrando em rochedos estáticos de um tempo desgastado.
Oh, a maré baixa, tudo destruído. Algumas pessoas acabam a obra de arte de nossas vidas, mas depois que vão embora, podemos ver o quadro em branco a nossa frente, e nossas mãos livres e vazias. Essa é a verdadeira obra de arte. Se você pode ver, está esperando o que? Pinte-a!

Autor: Tom Aiko

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